Quatro Gotas na Rodoviária da Cidade
São quatro rostos
Dois homens e duas mulheres
Três crianças e uma mãe
Que nascem no meu olho.
São quatro negros
Quatro pós
Quatro fomes
Quatro bocas
Oito olhos são que pingam na minha boca.
São quatro rostos
Dois homens e duas mulheres
Três crianças e uma mãe
Na espera da arranhada espera
De um sal de outro sol
Que não tinge a cidade.
São quatro negros
Quatro pós
Quatro fomes
Quatro bocas
Oito olhos são
E a mais pequenina criança dorme
Olha triste o ônibus que chega e parte
E não sabe onde
E não sabe como
Come na estrada que persiste
Que roda na mesma cama
Do talher sem parto.
E a mais pequenina criança dorme
Dorme e dorme...
São quatro gotas apenas
Repetidas
Tidas na testa
Dos soldados pingados em cada folha
Terra e talho.
São quatro negros
Em cada esquina de boca
Em cada risco de versos
Em cada troca de chão.
E os artesãos trabalham
E não dormem e trabalham.
jcaucaju@hotmail.com
Foto de Brando Oliveira
Escrever
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Alguém escreve
Quando alguém escreve
Descreve minha aprendizagem
Alguém escreve
Quando alguém escreve
Descreve minha aprendizagem
terça-feira, 20 de maio de 2008
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Um comentário:
Jean, se isso é só o começo, imagine o que pode vir mais adiante. Adorei o layout, sua foto, a cor de fundo, e é claro, o conteúdo. Vou ser leitora assídua! bjs
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