“SE...”
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo em redor já a perdeu e te culpa,
De crer em ti quando estão duvidando
E para esses, no entanto, achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires;
De sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores;
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que dissestes
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las como o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti, que ainda ordena: Persiste!
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes;
E, entre Reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes;
Se a todos podes ser de alguma utilidade;
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo valor e brilho:
Tua é a terra com tudo que existe no mundo,
E – o que ainda é muito mais – és um Homem, meu filho!
João Lima
2001
jcaucaju@hotmail.com
Foto de Brando Oliveira
Escrever
Quando não escrevo
Alguém escreve
Quando alguém escreve
Descreve minha aprendizagem
Alguém escreve
Quando alguém escreve
Descreve minha aprendizagem
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Jim
Rimbaud
Leminski
Castro Alves

Nenhum comentário:
Postar um comentário